Mês a mês
Decidi criar este espaço dentro do blogue para escrever, todos os meses, um pouco do que me habita. Histórias, pensamentos, impressões. Um exercício de partilha e de companhia, porque acredito que as palavras podem aproximar-nos.
Setembro 2025
Mês de regresso de férias e nada melhor do que começar com o encontro Book 2.0
Deixo algumas imagens e uma crónica.






O livro reinventado
Lisboa abriu setembro com um convite à reflexão: a Fundação Champalimaud acolheu a terceira edição do Book 2.0, reunindo leitores, editores, livreiros e pensadores em torno de uma questão maior — como reinventamos a leitura e, com ela, a própria condição humana?
Durante dois dias, cerca de setecentas pessoas sentaram-se frente a mais de quarenta vozes vindas de diferentes geografias e disciplinas. O que as uniu foi a convicção de que o livro, longe de ser um objeto estático, é organismo vivo, que respira com o tempo. As conversas, mais de duas dezenas, tocaram nos temas urgentes do nosso século: a literacia como fundamento da cidadania, a liberdade de expressão em tempos de ruído e censura, o impacto do digital na forma como lemos e escrevemos.
Houve espaço para celebrar a memória do papel e, ao mesmo tempo, questionar a presença inevitável dos ecrãs. Para os editores e livreiros, tratou-se de pensar o mercado não apenas em números, mas em responsabilidade: que livros colocar no mundo, de que forma aproximar autores e leitores, como manter viva a cadeia que sustenta a cultura.
O encontro deixou claro que a leitura não é passatempo, mas prática de sobrevivência. Num mundo saturado de informação rápida, o livro surge como resistência e como ferramenta: abre janelas de pensamento crítico, oferece profundidade e ensina-nos a duvidar. Reinventar a espécie, como propunha o mote do evento, talvez passe justamente por esta redescoberta da leitura — não como hábito menor, mas como gesto transformador.
No fim, o que se levou dali foi a certeza de que o formato importa menos do que a experiência. Papel ou digital, voz ou silêncio: a leitura continua a ser ponte entre o íntimo e o coletivo, entre o presente e o futuro.
E como lembrou o Presidente da República: “Não ler é renunciar o futuro.”
Agosto 2025

Cartas de amor quem as não tem? Pergunta a canção. Pessoa diz que todas as cartas de amor são ridículas. Camões tentou definir esse nobre sentimento. Mas como ele próprio o disse é algo muito contraditório.
Hoje em dia já ninguém escreve cartas, muito menos de amor. Atualmente com as tecnologias trocam-se mensagens por sms, por emails, fala-se no chat e no meio das palavras inserem-se emojies e muitos corações.
O amor pode ser uma coisa muito bela, mas todos sabemos que também causa desgosto e amargura. Em tempos idos as cartas de amor eram a forma de manter contacto entre os amantes, entre os casais, principalmente quando a distância era muita. A espera pelo carteiro trazia sempre muita esperança ou muita deceção quando as missivas não chegavam. E ainda havia a dificuldade na leitura, pois havia muito analfabetismo. É lembrar a “Morgadinha dos Canaviais” de Júlio Dinis que lia a todos os que lhe pediam e assim ficava confidente dos amores dos seus conterrâneos.
Descobri no meio das coisas da minha mãe, após a sua morte, cartas que o meu avô escreveu à minha avó quando estava a trabalhar em Lourenço Marques e que eram remetidas para a aldeia.
Fiquei deliciada, não só com a caligrafia, mas com o conteúdo.
Uma reza assim:
“Vae fazer quinta-feira 15 dias que não recebo noticias tuas e eu quero-as toudas as quintas feiras. Esta já faz 3 que daqui te envio e não terei descuido em te escrever toudas as segundas que é quando d’aqui sae correio e chega quartas e recebemos quintas. O dinheiro mais bem empregue é o das cartas nossas.”
Julho 2025
começou com a finalização da correção e entrega dos exames nacionais, da 1.ª fase, do 12.º ano de português.
Depois tive o meu primeiro retiro literário. Foi na Herdade da Barroca de Baixo, em Montemor-o-Novo. Um espaço magnífico para relaxar, com boa gastronomia e muita simpatia. Foram uns dias maravilhosos, não só pela companhia, mas sobretudo por aquilo que nos une – autores, livros, leitura e escrita. Podem ver a reportagem na minha página de Facebook, aqui: https://shre.ink/x1zB

O grupo do retiro visto pela lente da Isa Silva
e aqui: https://shre.ink/x1R4
Assisti ao lançamento do livro “A Confissão da defunta” de Gabriela Relvas, apresentado por Filipa Fonseca Silva, na livraria Almedina, do Rato. Podem ver algumas fotos e o meu comentário à leitura da obra no link: https://shre.ink/x1Rc
E chegou a vez de fazer a apresentação do meu livro “Rocamb(ur)lescas” em Tábua.
A reportagem pode ser consultada em: https://shre.ink/x1ED
Mas para os leitores desta minha página deixo mais fotos e vídeos que ilustram a bela tarde que vivi e que guardarei na minha memória.












Os vídeos foram gravados longe, o som não está muito percetível.






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