Mês de regresso de férias e nada melhor do que começar com o encontro Book 2.0

Deixo algumas imagens e uma crónica.

O livro reinventado

Lisboa abriu setembro com um convite à reflexão: a Fundação Champalimaud acolheu a terceira edição do Book 2.0, reunindo leitores, editores, livreiros e pensadores em torno de uma questão maior — como reinventamos a leitura e, com ela, a própria condição humana?

Durante dois dias, cerca de setecentas pessoas sentaram-se frente a mais de quarenta vozes vindas de diferentes geografias e disciplinas. O que as uniu foi a convicção de que o livro, longe de ser um objeto estático, é organismo vivo, que respira com o tempo. As conversas, mais de duas dezenas, tocaram nos temas urgentes do nosso século: a literacia como fundamento da cidadania, a liberdade de expressão em tempos de ruído e censura, o impacto do digital na forma como lemos e escrevemos.

Houve espaço para celebrar a memória do papel e, ao mesmo tempo, questionar a presença inevitável dos ecrãs. Para os editores e livreiros, tratou-se de pensar o mercado não apenas em números, mas em responsabilidade: que livros colocar no mundo, de que forma aproximar autores e leitores, como manter viva a cadeia que sustenta a cultura.

O encontro deixou claro que a leitura não é passatempo, mas prática de sobrevivência. Num mundo saturado de informação rápida, o livro surge como resistência e como ferramenta: abre janelas de pensamento crítico, oferece profundidade e ensina-nos a duvidar. Reinventar a espécie, como propunha o mote do evento, talvez passe justamente por esta redescoberta da leitura — não como hábito menor, mas como gesto transformador.

No fim, o que se levou dali foi a certeza de que o formato importa menos do que a experiência. Papel ou digital, voz ou silêncio: a leitura continua a ser ponte entre o íntimo e o coletivo, entre o presente e o futuro.

E como lembrou o Presidente da República: “Não ler é renunciar o futuro.”