cartas de amor

Cartas de amor quem as não tem? Pergunta a canção. Pessoa diz que todas as cartas de amor são ridículas. Camões tentou definir esse nobre sentimento. Mas como ele próprio o disse é algo muito contraditório.

Hoje em dia já ninguém escreve cartas, muito menos de amor. Atualmente com as tecnologias trocam-se mensagens por sms, por emails, fala-se no chat e no meio das palavras inserem-se  emojies e muitos corações.

O amor pode ser uma coisa muito bela, mas todos sabemos que também causa desgosto e amargura. Em tempos idos as cartas de amor eram a forma de manter contacto entre os amantes, entre os casais, principalmente quando a distância era muita. A espera pelo carteiro trazia sempre muita esperança ou muita deceção quando as missivas não chegavam. E ainda havia a dificuldade na leitura, pois havia muito analfabetismo. É lembrar a “Morgadinha dos Canaviais” de Júlio Dinis que lia a todos os que lhe pediam e assim ficava confidente dos amores dos seus conterrâneos.

Descobri no meio das coisas da minha mãe, após a sua morte, cartas que o meu avô escreveu à minha avó quando estava a trabalhar em Lourenço Marques e que eram remetidas para a aldeia.

Fiquei deliciada, não só com a caligrafia, mas com o conteúdo.

Uma reza assim:

“Vae fazer quinta-feira 15 dias que não recebo noticias tuas e eu quero-as toudas as quintas feiras. Esta já faz 3 que daqui te envio e não terei descuido em te escrever toudas as segundas que é quando d’aqui sae correio e chega quartas e recebemos quintas. O dinheiro mais bem empregue é o das cartas nossas.”